O Filósofo Peregrino: Um inventor de si mesmo


O Filósofo Peregrino: Um inventor de si mesmo

Por Mário Nascimento

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A leitura d’O Filósofo Peregrino impactou-me como uma invenção – e também um convite à invenção – de um caminho próprio de vida, de um ser humano com seus desejos muitas vezes conflitantes, com suas hesitações, suas escolhas muitas vezes forçadas pelas contingências e, especialmente, com sua força e coragem para realizar um desejo fortemente decidido.

Em vários momentos o vimos enfrentar as tentações de desviar-se de seu desejo – quando enganar aos outros seria facílimo –, mas sendo impossível enganar a si mesmo, o filósofo peregrino não cedeu do seu desejo! Para muitos, um desejo louco, para outros um desejo admirável, para outros…

Vimos assim o filósofo peregrino buscar o seu desejo singular, com todas as nuances possíveis, buscando libertar-se da dependência dos outros – parentes, amigos, sociedade em geral –, e tornar-se capaz de prescindir da aprovação dos outros, autorizando-se a si mesmo.

Algo também marcante na leitura foi constatar que o filósofo peregrino tem um corpo, e se este corpo possui força, tem também muitos limites, expressa e produz prazeres, mas também expressa e produz sofrimentos, possui inclusive necessidades imperiosas…

Também produziu ressonâncias o fato de o filósofo peregrino ter se defrontado com o prazeroso da vida, no encanto do encontro com o outro, na troca de experiências, na gentileza, na solidariedade… e também com o doloroso dos atos humanos, através da noticia dos atos de terrorismo, a morte de inocentes, o horror do fanatismo…

Uma pequena história destacou-se para mim. O encontro do filósofo peregrino com o peregrino alemão, uma experiência enriquecedora e prazerosa a princípio, mas que em seguida gera um conflito, conflito de desejos. O alemão demonstra desejo de prosseguirem juntos, mas o desejo do filósofo peregrino aponta na direção oposta… Dilema posto, qual a escolha, qual desejo satisfazer? Naquele momento, o filósofo peregrino decide pelo próprio desejo, abdicando da escolha sacrificial de aceitar a proposta do alemão, tendo coragem de parecer ‘mau’ aos olhos do outro, mesmo se com o cuidado de agir, na medida do possível, com delicadeza ao indicar ao alemão que caminhos diferentes lhes esperavam…

One response to “O Filósofo Peregrino: Um inventor de si mesmo

  1. Parabéns às observações de Mario Nascimento e que me fizeram pensar um pouco, pois mesmo quando queremos ficar sós, viver sós, o mundo nos persegue no seu afã de nos atrair para a rotina do convívio entre os homens. O filósofo peregrino viveu intensamente e em poucos dias(90 dias não é nada em relação a uma existência – ou é?) os dilemas e prazeres da solidão, mas com a “segurança” de que no próximo lugarejo ou hotel lá estaria o velho e bom mundo à espera, daí vem as perguntas: Podemos viver sós, mais que isso conseguimos viver sós? O livre arbítrio realmente existe na sua amplitude de ação/decisão ou possui limites que o mundo nos impinge? Somos verdadeiramente livres ou apenas achamos que somos?

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