SIM, NADAL À FRENTE DE BORG


PARTE II

SIM, NADAL À FRENTE DE BORG

[Atualizado após Wimbledon 2011]

Até antes do US Open 2010, eu argumentaria que Borg estava à frente de Nadal em termos de história. De fato, Borg tinha 11 Slams contra 8 de Nadal e, mesmo no critério “precocidade”, sempre esteve um passo adiantado.

De fato, Borg ganhou seu primeiro Slam no ano em que completou 18 anos, Nadal 19. Aos 20, Borg tinha 3, Nadal 2. Aos 21, Borg 4X3; aos 22, Borg 6X5; aos 23, Borg 8X6.

Deste modo, nesse critério apenas, mesmo após o US Open 2010, Nadal ainda estaria em desvantagem, embora diminuindo a mesma (Borg 10X9). [Borg 11X10 após Roland Garros/Wimbledon 2011]

Mas ganhar o US Open não acrescentou apenas mais um Slam ao já vasto currículo de Nadal. Com ele, Nadal completa o Career Grand Slam, vencendo cada um dos 4 grandes títulos.

E isso não é pouco.

Mesmo desconsiderando o Australia Open — um torneio que, à época de Borg, era comum deixar de lado —, não podemos deixar de notar uma grande lacuna na carreira deste último, que é justamente não ter ganho o US Open. Por 4 vezes Borg foi à final. Por 4 vezes saiu derrotado[1].

Nesse caso, então, acho que um caso poderia ser feito a favor de Nadal ter superado o grande mestre.

A “briga” principal então seria:

Nadal: 10 Slams no currículo, tendo, entretanto, vencido cada um dos 4 grandes torneios (três superfícies diferentes) e portanto completado o Career Grand Slam.

Versus

Borg: 11 Slams no currículo, mas apenas em duas superfícies.

Em relação à liderança do ranking, ambos terminaram duas temporadas cada um como número 1, e agora, mesmo tendo perdido o #1 para Djokovic após a final de Wimbledon, Nadal virtualmente empatou com Borg no critério de semanas na liderança: 109X102 para este último.

Borg conta, é verdade e além disso, com mais títulos de simples (63), contra “modestos” 46 de Nadal. Mas, de outro lado, Nadal conta com 19 títulos de AMS (um recorde), num tipo de torneio que, embora não existisse à época de Borg, podemos dizer, sem muita controvérsia, serem de nível competitivo superior à média dos torneios vencidos por Borg (na nomenclatura de hoje, seriam os chamados ATP500 ou ATP250). Além disso, Nadal superou simbolicamente o mestre em número de títulos no saibro: Nadal 32X30.

* * *

Contas e equiparações feitas, sugiro então que sim, que Nadal superou Borg, e não apenas em potencial, mas factualmente.

Sei que a avaliação dos critérios sempre carrega algo de subjetivo, mas, se perguntado, eu prefiro o currículo de Nadal. Vencer em todos os grandes torneios, em três superfícies diferentes, é algo indelevelmente especial.

Não podemos perguntar diretamente — torço para que alguém o faça! —, mas tenho a impressão de que o próprio Borg trocaria, feliz da vida, dois Roland Garros (RG) seus por um US Open e dois Wimbledon por um Austrália Open. E que tampouco se importaria em trocar um bom punhado de títulos menores pelo recorde de AMS…


[1] Incidentalmente levando-o a abandonar precocemente a carreira.

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