Como formamos nossos valores? (Réplica a Bado)


Sem dúvida, Bado. Concordo inteiramente com o que você argumentou. Mas gostaria de acrescentar algo que pode, talvez, fazer você aumentar a proporção de ¼ entre pais/sociedade: o exemplo dado, a própria história de vida dos pais, que será “bebida” incessantemente pela criança.

O que quero dizer é que praticamente tudo o que os pais fazem — bem como outras pessoas que adquirem seu amor e confiança — é absorvido pela criança e lhe ensina “modos de vida” aceitáveis ou desejáveis.

Quando digo “tudo”, isso inclui a profissão escolhida, a carga horária de trabalho (quanto tempo passa dentro ou fora de casa, e com que disposição), o fato de a mãe trabalhar também ou não, o fato de o pai ajudar nas tarefas domésticas ou não, o modo como eles tratam os empregados ou subalternos, amigos ou desconhecidos, etc, etc. Isso inclui inclusive o juízo de valor emitido em relação a outras pessoas e seus respectivos comportamentos, profissões, etc, etc.

Em outras palavras, cada comportamento, modo de agir, cada escolha dos pais funcionará como uma forte (ainda que tácita) mensagem para a criança:

“Se eu faço (recomendo, elogio) isso, é legítimo (aceitável ou desejável) que você faça também”.

“Se eu trato mal meus subalternos, é aceitável que você faça o mesmo”, abrindo espaço a que ela desenvolva sentimentos de superioridade em relação às classes mais desfavorecidas.

“Se eu sou racista e preconceituoso, se digo que lugar de mulher é na cozinha, se desconto nos outros meu mau-humor”, isso abre espaço a que a criança trate como normais, aceitáveis todo esse rol de valores ou comportamentos.

“Se torço pro Vitória e gosto de ser um eterno vice”, isso abre espaço a que a criança nunca seja um bom apreciador de futebol.

Não precisamos ser, naturalmente, deterministas e assumir que a criança — depois adolescente e adulto —, não terá poder de escolher caminhos e valores diferentes daqueles assumidos pelos pais. Certamente não. Ainda que o pai seja torcedor inveterado do Vitória, há esperanças de que a criança possa recobrar os sentidos e venha a torcer pelo Flamengo.

Mas é certo que os valores — explícitos e implícitos — dos pais (e educadores) criam uma primeira “moldura”, a partir da qual a criança vai se orientar no futuro.

Em todo caso, acho que todos podemos concordar com o seguinte: seja de 1/4 ou 1/10 nossa parcela de responsabilidade, não podemos senão tentar maximizar nossos esforços na educação e formação de nossos filhos (e também de pessoas próximas a nós).

E, estou convencido, o melhor modo de fazer isso ainda é por meio de seu próprio exemplo de vida. Desde, claro, que você não seja um grande filho da p… Mas, nesse caso, você não estaria preocupado em ler esse texto, muito menos comentá-lo…

2 responses to “Como formamos nossos valores? (Réplica a Bado)

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