Por que acreditamos no que acreditamos?


All things that are,

are with more spirit chased than enjoyed

(Merc Venice, II, 6)

Por que acreditamos no que acreditamos?

Ou deveríamos, talvez antes, perguntar: por que não acreditamos no que não acreditamos?

Sim, porque um modo de tratar a questão pode ser pensar que nossos comportamentos talvez não se definam tanto por uma busca do melhor quanto por uma fuga do pior.

Então a resposta à pergunta seria: não acreditamos naquilo que é pior para nós acreditarmos.

Isto é, não acreditamos naquilo cuja verdade, cuja realidade nos faria infelizes demais. Somos cegos às coisas ruins, exceto quando tememos coisas ainda piores. E freqüentemente tememos coisas piores.

A verdade, parece, é que não necessariamente agimos procurando o bem, o que é melhor pra nós. Agimos, antes, na defensiva, agimos tentando fugir do mal.

Pode-se pensar que a alternativa ao mal é o bem. E ocasionalmente é. Mas em tantos outros casos, talvez na maioria, a alternativa ao mal é, simplesmente, o “menos mal” ou “menos pior”, como comumente se diz.

E quem é o “juiz” dessa sutil, perversa balança?

Nossos traumas.

Nós, seres humanos, somos máquinas primariamente defensivas. Aquilo que nos causou dor uma vez, tentamos evitar. Até mais do que buscar o que nos causa prazer. E, de trauma em trauma, vamos tentando sobreviver.

Nossos traumas são, portanto, as “soluções” que encontramos para nos defender da dor. É para nos prevenir de nova, grande, indefinível dor que criamos e alimentamos tão bem nossos traumas, complexos, medos, fobias.

Sim, porque para as pequenas dores, podemos improvisar.

2 responses to “Por que acreditamos no que acreditamos?

  1. Pingback: Nelson Costa Jr» Blog Archive » Por que acreditamos no que acreditamos?·

  2. Buca,

    Mais um brilhante pensamento! Concordo, plenamente, com o exposto.

    As ferramentas de autodefesa dos traumas marcantes conduzem nossa vida e constroem nossas crenças!

    Estou super feliz com mais esta conquista sua: EXCELENTE BLOG!

    No entanto, limito-me a comentar as “Idéias Voando” e as publicações de “Esporte & debates”, pois não tenho capacidade e conhecimento de me aventurar em outros textos!

    PARABÉNS!

    Um abraço,
    Pedro

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