Federer: o maior de todos? (proposta inicial)


Bem, antes de sequer começar a argumentar a favor ou contra essa tese, precisamos responder a uma difícil pergunta:

—     É realmente possível a comparação entre jogadores de diferentes gerações (ou mesmo entre jogadores contemporâneos mas em diferentes fases de suas carreiras)?

Se essa pergunta for lida como:

É realmente possível chegar a um juízo perfeito, pleno e absoluto ao fazer esse tipo de comparação?

A resposta é simplesmente “NÃO”.

Afinal são tantas as variáveis e sutilezas envolvidas neste tipo de comparação, que é impossível encontrar uma linha de argumentação que estabelecesse a questão de uma vez por todas. Se é plenitude de julgamento o que buscamos, incomensurabilidade é o que encontramos.

No entanto, se abdicamos da perfeição e fazemos as pazes com o fato de que uma comparação tão complexa quanto essa envolve necessariamente “recortes” ou potenciais “injustiças”, por que não nos lançarmos nesse entusiasmante debate?

É o que vou tentar fazer aqui.

O que vou tentar, além disso ou sobretudo, é estabelecer, tão claramente quanto possível, os critérios que vou utilizar para me guiar, argumentando tanto a favor quanto contra esses critérios, ajudando assim ao leitor formar sua própria opinião.

Minha premissa central vai ser a seguinte.

Números não nos dizem tudo sobre os fatos ou feitos de um atleta, mas é uma bela maneira de começar.

Números podem não nos dizer diretamente quem é o melhor atleta de todos os tempos numa determinada modalidade. Mas eles certamente nos permitem dizer quem não é. E isso também já serve como uma bela ajuda.

Mas vou mais longe.

Num debate tão complexo como esse, conversar em torno de números e estatísticas me parece mesmo o único modo de (tentar) estabelecer uma conversação e critérios minimamente comuns. Porque fica muito difícil, por exemplo, debater sobre quem tem o melhor backhand ou forehand, o melhor saque ou devolução, apenas em considerações estéticas. Se o modo de interpretar (a significância d)os números já se presta a consideráveis e acalorados debates, o que esperar (senão a perpétua discordância) entre duas pessoas quando um entende que jogador A tem um estilo de jogo mais bonito do que jogador B e vice-versa?

Vou me repetir:

Assumindo que é pertinente ou interessante a comparação entre atletas de gerações diferentes, acredito que as respectivas estatísticas e “feitos numéricos” são o melhor meio de (tentar) estabelecer algum tipo de consenso mais duradouro.

* * *

Mas — um amigo uma vez me disse — números são “frios”, valem muito pouco, quase nada sem uma interpretação por trás dos mesmos. E, ao interpretar, ele arrematou, eis seu elemento de subjetividade entrando pela porta dos fundos.

Ele tem razão.

E por isso mesmo a maior parte do meu trabalho aqui vai ser (tentar) estabelecer critérios de interpretação dos números e estatísticas.

Eu certamente não tenho a pretensão de estabelecer critérios definitivos para decidir quem é ou foi o melhor tenista de todos os tempos. Mas, com sorte, poderemos chegar a alguns importantes critérios que nos reduzam a lista de candidatos. Decidindo com alguma clareza quem não pode ser o melhor tenista, talvez consigamos preciosas pistas sobre quem é ou pode ser.

4 responses to “Federer: o maior de todos? (proposta inicial)

  1. Amigos,
    Comparar jogadores de gerações diferentes, definitivamente é algo impossivel. Se olharmos antigos jogos de tenis, ou qualquer outro esporte verão que atletas relativamente mediocres hoje, seriam grandes campeões no passado. Isso porque tudo em relação ao esporte evolui – preparo físico, acessórios, novas técnicas, etc.
    Então vamos concentrar as comparaçoes dentro da mesma geração… Ai sim os numeros poderiam valem. No entanto, como vocês já perceberam, a estatística, mas do que uma ciência, é pura arte. Através dela podemos apresentar dados fabulosos, mesmo quando a situação está feia, e vice versa.
    Logo o meu conselho é: deixem de discutir sexo dos anjos e aproveitem o tempo para treinar kkkkkk

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    • Bado, eu concordo inteiramente com você, mas apenas para discordar em seguida!!! Kkkkk
      Nas minhas análises, você nunca me verá especulando sobre quem ganharia um hipotético confronto entre Nadal e Borg ou Federer e McEnroe. Daí, também, eu ter eliminado qualquer tipo de comparação “subjetiva”, que leva em conta, por exemplo, estilo de jogo.
      Então eu concordo com você que seria completamente inútil comparar o backhand de Borg e Nadal, ou jogo de pernas, ou saque/voleio, velocidade do saque ou mesmo precisão dos golpes. As épocas eram diferentes, as tecnologias das raquetes, as técnicas de jogo e, talvez sobretudo, de preparação física.
      Mas a beleza dos números é exatamente essa: ela nos permite escapar de várias dessas polêmicas insolúveis e ir “direto ao ponto”, isto é, avaliar os feitos de cada atleta em comparação com concorrentes que têm/tinham à sua disposição (pelo menos em princípio) as mesmas oportunidades.
      Minha proposta é que, ao analisar os números obtidos no todo de suas respectivas carreiras, podemos ter idéia razoavelmente precisa do domínio relativo que um determinado atleta teve em sua geração.
      Assim, por exemplo, Borg ganhou 11 slams entre concorrentes que jogavam todos com raquete de madeira. Seus títulos e feitos são, portanto, méritos relativos em relação a seus adversários da época. E o mesmo vale para a análise dos números dos demais jogadores.
      É nesse, e apenas nesse, sentido que pretendo realizar a comparação entre atletas de diferentes gerações.
      Mas, já sei, até aqui escrevi apenas o post inaugural. Peço então alguma paciência para que possa completar minha argumentação!

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  2. E sem falar em Sampras, Rod Laver, Ivan Lendl, Connors, etc.
    Algumas opinioes sobre o tema:
    1- “Com certeza todos os nomes citados pelos companheiros merecem muito respeito. Mas gostaria de relatar uma época incrível em que tive a honra de assistir , acredito eu, o maior número de grandes campeões se enfrentando. A transição do tênis clássico para o tênis força. Quem pode se lembrar das inesquecíveis partidas de Ivan Lendl, do seu back hand preciso e mortal. Do clássico e mágico tenista que fechava a rede, Stefan Edberg. Da precoce aposentadoria do grande tenista Boris “bumbum” Becker. Tinha um saque e uma esquerda poderosa. Do tenista que aposentou os grandes e se tornaria o antecessor de Federer, o grande Pete Sampras. Todos estes grandes campeões estrelaram juntos e ainda podemos citar estrelas como Jim Courier, Andre Agassi, Michael Chang. É isso aí, tive a honra de ver todos estes grandes jogadores, muitos do início ao fim de sua gloriosa carreira. Hoje apesar da inquestionável supremacia de Federer e Nadal, sinceramente, prefiro aquela época. Era show de bola assistir a todas partidas.” [http://listas.br101.org/top10-tenistas.html]

    2- “Acompanho o tênis desde 1980, quando assisti dois gigantes jogarem, Bjorn Borg x John McEnroe. Se olharmos apenas os números, sem dúvida o Roger Federer estará no topo da lista. Se usarmos como critério agressividade juntamente com técnica, além de grandes adversários de cada época, tenho na minha modesta opinião que o Bjon Borg foi o melhor, depois aparecem grandes nomes como Jon MacRoe; Boris Backer; Peter Sampras; Roger Federer. Um degrauzinho abaixo temos: Stafan Edberg; Ivan Lendel; André Agassi, Rafael Nadal. Mais um degrauzinho abaixo temos o Guga, Jimi Currier. Quanto ao Jimy Connor’s não me lembro do jogo dele, porém dizem que foi outro grande tenista mundial.”

    3- Após a vitória de Federer no Roland Garros de 2009
    “… Com a vitória no saibro francês, Federer levou para casa o troféu que faltava para calar os críticos que tinham dúvidas sobre se ele era ou não o maior tenista de todos os tempos. Foi seu 14º título de Grand Slam – feito igualado apenas pelo americano Pete Sampras (leia quadro) -, que o transformou no terceiro homem na história do tênis profissional, a partir de 1968, a ganhar as quatro maiores competições do circuito. Federer é o tenista mais completo nas quadras por ser acima da média em todos os fundamentos. É perfeito nos nove saques como Sampras. Tem a paralela de esquerda mortal de Guga. A direita do chileno Fernando González. As deixadas marotas próximas à rede dos argentinos. E a devolução fulminante de Andre Agassi.
    “Fazer um ace sacando a 230 km/h é fácil”, diz o ex-tenista e comentarista Dácio Campos. Mas só os grandes conseguem fazê-lo no segundo serviço a 180 km/h.”

    4- Além dessa capacidade, o suíço dificulta ainda mais a vida de seu oponente por estar sempre onde a bola vai chegar – enquanto os outros correm atrás dela. “Roger é todo nota 9,5. Tem uma caixa de ferramentas impressionante”, afirma o extenista Fernando Meligeni.
    (…)
    Bulca,
    Pois é, decidir quem foi o melhor em determinado esporte ou qualquer outra atividade da vida é difícil, para não dizer quase impossível, e os números por si só não são capazes de definI-lo, apesar da suposta precisão que possam parecer sugerir.
    Abs

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  3. Bulca,
    só para começar a brincadeira…
    …os números são sem dúvida alguma uma das melhores, senão a melhor forma, de se analisar a capacidade de um indivíduo na atividade que desenvolve, atleta ou não. É a forma mais eficiente e eficaz de mensurar a sua produtividade.
    Entretanto, “a frieza” dos números consegue muitas vezes mascarar a realidade.
    Senão vejamos, Federer é sem dúvida alguma (e falo isso sem entender do esporte como você) um gênio. Os números provam isto. Mas, como pode um gênio ter tantas derrotas para um adversário, como Federer tem em relação a Nadal ? O gênio não seria este e não aquele. A meu ver, os números “provam” isto. Claro que não, você diria, os números provam exatamente o contrário, demonstram que Federer é mais completo, mas a cabeça o trai de alguma forma quando combate contra Nadal. Isso mesmo que eu disse, combate, pois a imagem que passa é que quando joga contra Nadal está travando uma guerra contra um oponente infinitamente superior. E por incrível que pareça não é Nadal, e sim ele mesmo. Ele já entra derrotado. Como pode um gênio agir assim ? Tudo bem, é humano, mas isto não quer provar, de alguma forma, por força do destino, que Federer não é o melhor jogador da história. Poderia compará-lo com Schumacher e dizer que ambos não encontraram em suas carreiras adversários com qualidade e em quantidade suficientes que pudessem corroborar com a idéia de que são os melhores de todos os tempos em seus respectivos esportes. Diferente de outras épocas que pululavam grandes jogadores e pilotos os dois não tiveram que vencer outros “gênios”. Para mim a diferença maior entre Federer e Schumacher é que o tenista me parece ser bom caráter. A comparação é difícil de se fazer pelo simples fato de que comparar indivíduos que viveram em épocas distintas, com diferenças de preparação física e mental, diferenças tecnológicas de equipamento/material, entre outras, é a meu ver impóssível e passa como bem disse você pela simpatia do julgador em relação a este ou aquele. Comparar Federer com Borg ou com MacEnroe…não sei não…
    De qualquer forma, estou esperando os números paraque você me convença que Federer é um dos maiores, nunca o maior.
    Abs.

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